|
|
A CERVEJA NO BRASIL.
Ao contrário de alguns países americanos, somente no
século XIX o consumo de cerveja foi difundido. Até então, os comerciantes
portugueses viam na cerveja, uma ameaça ao consumo de vinho que o Brasil
colônia importava de Portugal.
Com a vinda da família real para o Brasil, novos costumes
surgiram. Já por essa época era grande o contingente da colônia inglesa que
tinha o hábito de tomar cerveja, que era importava da Inglaterra e de outros
países. Nesta época, timidamente, os brasileiros começaram a se interessar
pela cerveja importada.
Quando o consumo de cerveja no Brasil era suficiente para
motivar uma incipiente fabricação nacional, iniciou-se uma modesta produção
apesar da falta de meios técnicos, para baixar os custos, os cervejeiros
costumavam amarrar as rolhas com barbante no gargalho das garrafas (à
semelhança do que ocorre com a champagne). Tal procedimento, aliado à
"qualidade" dessas cervejas, é que deu origem à expressão
depreciativa "cerveja marca barbante" que, com o tempo, estendeu-se
para caracterizar outros produtos de qualidade duvidosa. Ainda hoje é comum
ouvir-se a expressão "tal mercadoria é marca barbante". Apesar de
tudo, surgiram algumas cervejas que, por suas qualidades, se tornaram bastante
conhecidas na época, como a Gabel, Guarda Velha, Logos, Vessoso, Stampa, Olinda
e Rosa.
Todas elas eram produzidas em condições precárias e logo desapareciam
do mercado.
A primeira fábrica de cerveja - com todos requisitos
técnicos indispensáveis
- foi fundada em 1888. Era a
Manufactura de Cerveja Brahma, Villigier e Cia., de propriedade do engenheiro
suíço Joseph Villigier. Até hoje, permanecem na obscuridade as razões que
levaram o engenheiro a escolher o nome Brahma para a sua cerveja. Há pelo menos
duas hipóteses mais aceitas que tentam desvendar o porquê desse nome. A
primeira diz que o engenheiro inspirou-se na história mística da Índia. E
esse nome seria uma homenagem a uma das principais divindades hindus, que o
fascinava sobremaneira. A segunda relaciona o nome Brahms, que teve seu apogeu
de sucesso por volta de 1879, justamente o ano que Joseph Villigier chegava ao
Brasil. O vocábulo Brahms, por ser masculino, foi adaptado para o feminino para
concordar com a palavra feminina Manufactura.
No dia 3 de setembro do mesmo ano,
foi registrada, na Junta Comercial, sob o número 1.549, a marca Brahma, em nome
da firma Villigier e Cia.
O primeiro rótulo da cerveja ganhou a seguinte descrição:
"A palavra Brahma está escripta com letras altas de tipo grosso. No lado
esquerdo vê-se um emblema representando uma senhora em cima de um barril, tendo
na mão direita, um copo de cerveja e mostrando com a esquerda a palavra Brahma.
No fundo d'este emblema observa-se lúpulo e cevada. No barril, acha-se pregado
um letreiro com a palavra Branca ou Dupla."
Em 1894, a pequena cervejaria foi
vendida para a firma George Maschke e Cia. Como o mercado já se mostrava
promissor, a nova direção tratou de modernizar e ampliar a fábrica para fazer
um produto de qualidade superior que pudesse competir com as cervejas de origem
estrangeira. A cerveja produzida era de baixa fermentação e teve aceitação
imediata do público consumidor. A grande procura pela cerveja Brahma obrigou de
pronto o aumento da produção, que foi o primeiro passo para o desenvolvimento
da firma. Alguns anos mais tarde, em 1904, aconteceu a fusão da cervejaria de
Maschke com a Preiss, Haussler e Cia., resultando então a Companhia de
Cervejaria Brahma, que já começou produzindo seis milhões de litros.
|
MARCAS |
% |
|
Skol |
29,7 |
|
Brahma |
22,5 |
|
Antarctica (inclui Bavaria) |
20,2 |
|
Kaiser |
14 |
|
Schincariol |
9,3 |
|
Cintra |
0,9 |
|
Outras marcas |
3,4 |
Estimativa relativa ao bimestre abril-maio de 2000, Fonte: Impact Databank Consultoria e Nielsen (Publicado na Folha de São Paulo, 28/7/2000.)

|
|